Na Índia, internautas têm perfis diferentes para se relacionar com pessoas de outra casta
RIO — O Facebook é uma comunidade global com 1,6 bilhão de pessoas, o Twitter conta com 320 milhões de usuários, mas o uso da rede varia de acordo com o ambiente cultural. Essa é a conclusão do maior estudo antropológico já realizado sobre as redes sociais. Ao longo de 15 meses, uma equipe de pesquisadores da Universidade College London observou, in loco, como habitantes de pequenas comunidades em oito países lidam com a tecnologia e se relacionam online. O resultado traz histórias surpreendentes, como a de um povoado no Sudeste da Turquia, país majoritariamente muçulmano, onde jovens recorrem a aplicativos de mensagens para conversar com pessoas do sexo oposto; ou a na Índia, uma sociedade de castas na qual internautas criam dois perfis distintos: um para se relacionar com pessoas do mesmo grupo social e outro, mais abrangente.
— Nós vemos afirmações generalizantes, de como o Twitter mudou a política, o Facebook mudou o nosso entendimento sobre amizade, mas será que isso funciona da mesma maneira para um profissional de TI na Índia ou um operário na China? Nós temos a responsabilidade de estudar — explica o coordenador do estudo, Daniel Miller. — As discussões sobre redes sociais são focadas em dados estatísticos, com análise de mensagens publicadas, mas é preciso conhecer as pessoas que fazem uso dessas redes.
Foram estudadas localidades no Brasil, na Turquia, em Trinidad e Tobago, no Chile, na Itália, Índia e China. A equipe foi formada por nove pesquisadores. Cada um viveu por 15 meses em uma comunidade. Com análises nesses países, foi possível comparar as diferentes formas de apropriação das redes sociais. O estudo resultou em 11 livros (três já estão disponíveis e o resto será publicado aos poucos ao longo deste ano), centenas de vídeos e no curso “Por que postamos”, que será ministrado na universidade, mas também tem turmas gratuitas pela internet.
REFORÇO NAS RELAÇÕES LOCAIS
De todos os achados, os pesquisadores destacaram 15 que serão debatidos no curso, sendo que alguns rebatem crenças difundidas, como a de que as redes sociais tornariam as pessoas mais individualistas, com a perda de valores tradicionais, mas não foi isso que os antropólogos observaram. Na comunidade estudada no Chile, por exemplo, os homens trabalham por longas jornadas em minas, longe de casa, e as redes sociais ajudam a família e a comunidade a se manterem unidas. No Brasil, o local do estudo foi uma pequena comunidade na Bahia, e o antropólogo Juliano Spyer, doutorando na Universidade College London, constatou o caráter socializador das redes com membros de igrejas evangélicas que se tornam amigos de seguidores do candomblé pelo Facebook, apesar de encontros pessoais serem recriminados socialmente.
— Conheci uma jovem de família evangélica que, no contexto da vila, em ocasião nenhuma conseguiria manter vínculo de amizade com uma pessoa do candomblé — observa Spyer. — Isso só foi possível porque ela conseguiu, usando o Facebook, gerir essas duas relações: manteve o vínculo com a família e com a igreja, que ela preza muito, e ao mesmo tempo começou a se relacionar com pessoas de outra religião.
Também é comum ouvir que as redes sociais acabam com a privacidade. Talvez isso seja verdade para as camadas médias e altas das sociedades ocidentais, mas numa comunidade industrial na China, onde os habitantes vivem em dormitórios compartilhados com outros trabalhadores, as redes sociais são dos poucos locais privados. Na Turquia, onde as relações entre homens e mulheres podem ser mal vistas, jovens recorrem a programas de mensagens para manter romances longe dos olhares da comunidade.
Outra constatação dos pesquisadores foi que, em determinadas situações, as redes sociais se transformam em espaços de aprendizagem, diferente da visão de críticos, que consideram que elas prejudicam os estudos por tirarem a atenção dos alunos. Na comunidade estudada no Brasil, jovens recorrem a conteúdos disponíveis nas redes para se informar. E o próprio ato de escrever mensagens para amigos é uma forma de conhecimento.
— A evidência que eu trago da pesquisa é diferente: esses meninos e meninas leem e escrevem 24 horas por dia, trocando mensagens uns com os outros, e isso é um ganho de conhecimento sem precedentes naquela comunidade — diz Spyer. — E existe a preocupação de escrever corretamente, para não virar alvo de piadas. Então eles usam os corretores ortográficos ou recorrem ao Google para saber se uma palavra está certa.
A reprimenda social, aliás, tem presença coercitiva nas redes. Em todas as comunidades pesquisadas, os antropólogos perceberam que, em redes públicas, como o Facebook e o Twitter, as pessoas tendem a ser mais conservadoras. E nem é por causa da vigilância estatal, forte em países como China e Turquia, mas para não serem julgadas pela família e comunidade. Isso vai de encontro à visão do Twitter observada em movimentos no Oriente Médio e na África.
— Na Índia, as castas têm papel central nas comunidades. Nós encontramos relatos de jovens que foram para a universidade e, lá, se relacionam com pessoas de outras castas. Mas como a mistura com outros grupos é mal vista, eles criam dois perfis distintos nas redes sociais: um para a vila e outro para os colegas de classe — conta Miller, coordenador do estudo.
IGUALDADE ON-LINE, DESIGUALDADE OFFLINE
E a visão de que a internet e as redes sociais são promotoras da igualdade, por permitirem a democratização do acesso aos conteúdos, cai por terra na análise dos antropólogos. Os benefícios para a população de baixa renda são inegáveis, como o acesso ao trabalho e facilitação da comunicação, mas elas não alteraram a exclusão, a segregação social e a opressão offline. No Brasil, por exemplo, funcionários podem ter os mesmos smartphones que seus empregadores, mas isso não faz com que se tornem amigos ou se adicionem em redes sociais.
— Existem estudos dizendo que as redes sociais estão criando igualdade. On-line, talvez. As pessoas estão tendo acesso a smartphones, e isso é incrível, mas nós percebemos que isso não necessariamente causa impacto nas relações entre as pessoas offline — diz Miller. — Então, o que nós aprendemos é que não é possível dizer uma coisa sobre as redes sociais e assumir que isso seja verdade para todas as pessoas. Isso não faz sentido. O que nós temos é a diversidade em todas as partes do mundo.
Fonte: http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/pesquisa-mostra-diversidade-do-uso-das-redes-sociais-pelo-mundo
Comentários, opiniões e o que mais vier. O título é em homenagem a uma grande amiga: Ana Paula de Lisbôa, que me ensinou a dizer - Não me causa espanto... tanto para as coisas adoráveis, quanto para as péssimas. Um atestado de reconhecimento humano. O tema desse blog é não ter tema. O nosso foco são todos os focos.
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terça-feira, 8 de março de 2016
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Poesia numa hora dessas?!
Insatisfação, segundo o dicionário: descontentamento, desprazer, contrariedade, aborrecimento. Mas não precisamos ser filólogos para compreender perfeitamente seu significado.
Abrimos os jornais, ouvimos notícias nas rádios, caminhamos pela internet, assistimos a telejornais e esse é o sentimento que domina a cena.
Em todos os âmbitos, o que se vê é um total descontentamento com tudo. Com a própria vida.
Não sabemos mais onde começa ou termina a insatisfação, se de dentro pra fora, ou se de fora pra dentro. A interior alimenta a exterior e vice-versa.
E, junto: um desânimo, um desalento, um desencanto. Haja esperança!
Lembro de um livro lindo, do Luís Fernando Veríssimo, chamado: “Poesia numa hora dessas?!”
Porque a esperança a gente encontra nas coisas simples, na poesia, nas possibilidades de ser, que são movimentos pouco usuais. Não dá nem tempo de pensar nessas coisas.
Mas é daí que vem o sal, que vem o alimento diário para a rotina desanimadora.
Como falar de beleza, em que momento contemplar com admiração o outro, ouvir uma música que te leve pra longe?
“O pobre sedutor” - LFV
Não tenho onde cair morto,
ando matando cachorro a grito
com uma mão atrás e outra na frente,
tou duro, tou na pior,
tou chamando urubu de 'meu louro',
numa merda federal,
com a corda no pescoço,
endividado até a alma
e entrando pelo cano.
Mas, em compensação, te amo.
Entendeu?
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Sobrevivendo às internações hospitalares 2
Fui de emergência para o Pronto Socorro, com suspeita de estar infartando. A recomendação do meu médico sempre é: corre e depois me avisa. O que é absolutamente compreensível em se tratando de uma pessoa que tem problemas cardíacos e que, normalmente, precisa ser atendida o mais rápido possível. Portanto, não adianta ficar tentando localizar o médico quando se começa a passar mal. Tem é que correr mesmo, depois a gente avisa e ele entra no esquema.
Foi exatamente essa a situação.
Da emergência fui direto para a UTI cardiológica. E aí começa... só havia três pacientes. O entra e saí do pessoal da enfermagem é absurdo. Todos falando alto, bem alto e, para nosso azar, a porta estava sem aquela mola que faz com ela abra e feche de maneira mais suave. Então era uma bateção de porta insuportável – isso me traumatizou a ponto de, atualmente, eu ficar estressada com portas batendo.
A médica cardiologista que veio acompanhar o meu caso, imediatamente, prescreveu uma cineangiografia cardíaca, ou o popular cateterismo.
Meu médico chegou e foi conversar reservadamente com a plantonista, colocando-a a par da minha situação e discordando do procedimento que, àquela altura, para ele, não parecia ser o mais recomendado por causa do meu histórico. Houve um pouco de discordância quanto ao procedimento, mas acabei ficando lá, quietinha, sem fazer o tal exame.
Quietinha, modo de dizer, né? Foi aquele dia fatídico. em que aquele rapaz entrou na escola municipal, em Realengo, e saiu atirando pra todos os lados, matando crianças e jovens.
Havia uma televisão na UTI – alguém pode me dizer por que há televisões nas UTIs???
A equipe de enfermagem sequer olhava pra cara dos pacientes... todos grudados nas imagens da TV! E nós, os pacientes, também acompanhando detalhadamente, o massacre. Nada mais adequado, né?
Fiquei bastante agitada com aquilo tudo, afinal, eram as “minhas” crianças; uma das “minhas escolas”... Não posso dizer que foi bom.
No dia seguinte, fui encaminhada para o quarto – que é compartilhado. E aí começa outra etapa que é tomar conta das técnicas de enfermagem para verificar se estão me dando a medicação certa. Entre um equívoco e outro, vamos caminhando.
Meu médico veio “passar a visita” e, a primeira coisa que repara é a TV ligada no massacre – que perdurou dias, passando e repassando as imagens terríveis – e que minha vizinha de quarto assistia e comentava avidamente. Ele desliga a TV. Faz a visita e sai para prescrever minha medicação e tomar outras providências.
Moral da história: assim que meu médico foi embora, a chefe da enfermagem entou no quarto, me encarou, e disse: “que medicozinho escroto esse seu, hein? Só sabe dar ordens!”
Esse hospital não foi o mesmo da outra internação já descrita aqui, ou seja, não importa o local, a formação dos profissionais é péssima e as rotinas absolutamente despropositadas.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Sobrevivendo às internações hospitalares 1
Tudo começou com a minha chegada à recepção do hospital para onde eu havia sido encaminhada pelo meu médico, por volta das 18h de uma 2ª feira. Estava aguardando a minha vez de preencher a ficha de “admissão”, quando sai uma médica da UTI e começa a explicar para a família da senhora que havia sido internada antes de mim, o que ela tinha, dizendo o seguinte: “A sra. .... tem uma miocardiopatia hipertrófica congestiva e, nesse momento, o seu coração encontra-se descompensado, porque ela tossiu muito...”.
Nesse momento, não aguentei e, me desculpando, me meti na conversa, achando estranho porque o diagnóstico que a médica dizia ser da pessoa que já estava lá dentro, era exatamente igual ao meu... o que me causou estranheza, uma vez que a tal miocardiopatia hipertrófica congestiva parece não ser uma coisa muito comum.
Enfim, desfez-se o mal entendido, depois que a médica ‘foi lá dentro’ verificar o que eu havia dito e desfez a confusão. O que aconteceu é que tanto eu quanto a senhora que chegou antes, fomos enviadas pelo mesmo médico, que, por telefone, passou os motivos da internação de cada uma das pacientes. Sendo assim, parece que quem recebeu os recados, trocou pacientes e diagnósticos...
Em seguida, fui levada lá pra dentro, pra UTI. A primeira coisa que fazem é nos colocar completamente nus, com a aquela camisolinha aberta atrás... É a certeza que nós vamos querer fugir, mas não poderemos, por estarmos vestidos daquela maneira. Logo após vieram um enfermeiro e uma enfermeira para tentar pegar uma veia e me colocar no soro. Aquilo, desde o início me pareceu temeroso, porque ambos me pareceram com pouca intimidade no trato com as veias... Depois de cinco tentativas frustradas e eu assistindo e sentindo o arrombamento das minhas veias, ele dizia:”Bota a agulha 22, que é mais fina.” E ela respondia:”Não precisa, vai com a 20 mesmo...” Até que depois de umas onze tentativas vãs, passou uma médica que, vendo o que se passava, mandou suspender a ideia de me colocar no soro...
É óbvio que fiquei com os dois antebraços e com o dorso da mão esquerda completamente roxos, inchados e doídos. Mas, fragilizada como qualquer pessoa na mesma situação que eu, comecei a achar que a culpa era minha, afinal, eu é que tenho fragilidade capilar... Embora eu tire sangue regularmente para fazer exames e os ‘tiradores de sangue’ das clínicas não costumam fazer isso comigo. Enfim... É muito interessante como a gente se sente acuada diante do aparato médico-hospitalar. Parece que aquilo tudo vai poder nos engolir a qualquer momento, principalmente se não tivermos um bom comportamento... A questão do bom comportamento fica logo clara para quem chega, só em ouvir os comentários do pessoal da enfermagem a respeito dos pacientes. Logo, logo a gente percebe que o melhor é ficar bem comportadinha...
Em seguida, chegou um rapaz gritando D. Deise, quem é D. Deise?. Como ninguém respondeu, perguntei se, talvez, quem sabe, não poderia ser Denise (e aí seria eu...). E ele disse que sim, e aí me arrumou na cama para tirar um RX do tórax. Isso já eram quase 23h. Para meu azar, ainda vieram tirar sangue de mais uma veia mal comportada, como só eu tenho...
No dia seguinte, entre um tremendo entra e sai naquela sala (que deveria ser mais reservada, ou não?), começam a vir os remédios: a enfermeira vem e me oferece um comprimido. Eu pergunto o que é e ela responde:"É lasix”. Ponderei com ela que eu não tomava esse medicamento, que a minha pressão é baixa, eu não estava com retenção de líquido, além de já fazer bastante xixi por natureza. Nada comoveu a moça e, para não ser enquadrada como mal comportada, resolvi tomar o lasix, afinal, pensei, um só não será tão ruim assim, só terei que usar a ‘comadre’ o dobro de vezes que já uso...
Mais tarde verificamos que realmente o lasix não era pra mim...
Chega o café da manhã (sim, faz parte do sistema da tortura médico-hospitalar te acordarem às 4:30h/5h para tirar sangue (aaaiiii!!!), medir a pressão e tirar a temperatura), junto com ele uma situação, no mínimo, surreal: um senhor que estava duas camas depois da minha, estava com esofagite (infecção no esôfago) e, portanto, sob rigorosa dieta e já internado há três dias. Na sua ficha estava prescrito que sua alimentação deveria ser líquida e pastosa. Adivinhe o que veio para ele comer? Um copo grande de café puro, um copo grande de leite, uma banana, um sanduíche de pão de forma e manteiga e geleia. Bom, podemos entender que o café e o leite são líquidos (embora, decididamente, café não seja uma bebida indicada para quem tem problemas digestivos...), mas, e o pão de forma e a banana, ficariam enquadrados em líquidos ou pastosos? Talvez depois de bem mastigados... A questão é que a ‘moça da cozinha’ foi chamada e disse que não sabia o que fazer, porque, para ela, foi dito que o paciente estava de dieta branda e aquele era o café da dieta branda...
Até o final do dia, me tiraram sangue (aaaiiii!!!) mais duas vezes e, naturalmente, deixando meus braços parecendo um caso do CSI...
Uma coisa que fiquei sem entender muito bem, também, foi a atitude pouco adequada, digamos, de alguns funcionários. Ora dando gargalhadas, ora brigando entre si por causa de horários e ‘quem vai cobrir quem, no dia tal’, alguns se xingaram, e, finalmente, a noite realmente é feita pra dormir, certo? Por falar nisso, de madrugada, eu mesma me libertava dos eletrodos (não sem antes gravar mentalmente em que posição se encontravam), baixava a grade da cama, saía da cama, ia ao banheiro, voltava para a cama, subia a grade, e me conectava novamente. Só assim, e em silêncio, eu conseguia fazer xixi sem acordar ninguém da enfermagem...
Novamente, às 4:30h da manhã, vem uma enfermeira para tirar meu sangue (aaaiiii!!!). Foi ‘tão bem tirado’ que pensei que tivessem enfiado uma chave de fenda e com ela ‘procurado’ a veia, assim que ela tirou a agulha, cresceu um ‘calo’ roxo na dobra do meu braço direito. Comecei a chorar de dor. Uma meia hora depois apareceu um enfermeiro vindo do CTI e eu o chamei e pedi que me trouxesse algo para colocar no braço, poderia ser gelo. Ele saiu e voltou com um tubo de... pronto para colocar no meu braço, quando segurei sua mão a tempo e perguntei se ele tinha certeza que aquilo daria um bom resultado... Então ele resolveu olhar para o que estava quase passando em meu braço: no lugar de Reparil gel, ele ia passar creme de barbear Bozzano... A desculpa foi que os dois tubos são azulzinhos... (só não consegui entender porque no CTI o reparil gel fica junto do creme de barbear Bozzano).
Nessa noite, quase dois dias depois que eu havia chegado, vêm novamente tirar novo RX do meu tórax, porque aquele primeiro que fiz logo no primeiro dia, havia sumido... Ainda perguntei se talvez não havia sido entregue à D. Deise, por engano... Mas finalmente me disseram que não havia nenhuma D. Deise internada (o que foi uma pena, porque eu já estava me sentindo profundamente identificada com a D. Deise).
Consegui, no terceiro dia, ir para um quarto (me consolei pensando que estava me livrando de toda aquela loucura). Até o momento, eu estava achando que essas coisas só estavam acontecendo comigo. Depois fiquei mais impressionada, porque me dei conta que a atitude irresponsável de toda a equipe não era um problema pessoal meu. Isso ganhava contornos mais apavorantes, pois passei a imaginar tudo o que estava acontecendo comigo, em escala macro...
Cheguei ao quarto com o enfermeiro da UTI e não havia ninguém da enfermagem do andar para me receber no tal quarto. Me ajeitei, tomei banho e fui até o lugar onde o pessoal fica, para pedir que fizessem um pequeno curativo no meu dedo indicador esquerdo que eu havia cortado ainda em casa. Todos ficaram muito espantados com a minha presença, pois não imaginavam que eu já estivesse no quarto...
Enfim, pedi um curativo para as cinco enfermeiras ali presentes que me disseram para ir para o quarto, porque em seguida, alguma delas iria até lá. Até o final do dia, fiz o mesmo pedido para três outras enfermeiras e estou esperando até hoje o tal curativo. Liguei para minha casa e pedi que minha filha trouxesse um antisséptico e alguns band-aids e eu mesma fiz o curativo.
No quarto dia, o médico foi me visitar e disse que eu ainda faria mais um RX do tórax e faria mais um exame de sangue (aaaiiii!!!). Logo em seguida, adentra o quarto mais um enfermeiro e pergunta se eu já estou pronta para subir... (achei o máximo da organização e competência, afinal, o médico havia acabado de sair, dizendo que eu iria tirar um RX e o enfermeiro já vem me buscar!!!). Perguntei se o RX era lá em cima, e ele respondeu: “A outra menina já está vindo aí pra te pegar de maca...” E eu: “E preciso ir de maca? Eu estou andando!” E ele completa: “Você tem que ir na maca, você vai pra cirurgia...” Eu dei um pulo: “Eeeuuu???” Ele: “Peraí, qual é o nº desse quarto? É 406?” “É” “E qual é o seu nome?” “Denise” “Humm, peraí que eu vou verificar...” E eu estou esperando ele verificar até hoje...
Bem mais tarde, fui ‘lá embaixo’ tirar o RX e sabe como estava escrito o meu nome na ficha? Você acertou se disse Deise... Eu mesma peguei uma caneta e consertei a ficha...
Você ainda acha que tudo é uma coincidência? Na última noite, por volta das 22h, entra a enfermeira com os remédios. Mais uma vez estranho, dessa vez, a quantidade de remédios. Havia cinco comprimidos para eu tomar. Perguntei à enfermeira quais eram os remédios e ela começou a dizer luftal, digesan, capoten (opa! Esse eu não tomo!), antak e propanolol. Achei meio exagerado o fato de ter um capoten (que eu nunca havia tomado) e já havia tomado 160mg de propanolol naquele dia. Será que o médico faria essas alterações sem me avisar que iria fazê-las? A enfermeira, aborrecida, me perguntou se eu queria que ela buscasse a planilha para que eu visse com os meus próprios olhos a prescrição. Eu, como bem comportada que aprendi a ser lá dentro... disse-lhe que não precisava, que eu só gostaria que ela fosse lá para conferir, e que eu acreditaria em sua palavra. A moça saiu batendo pé, visivelmente irritada, e voltou, visivelmente constrangida, com a planilha na mão, para me mostrar que na realidade eu só tinha que tomar o luftal e o antak. Me pediu desculpas, alegando que; “Sabe como é, né, é muita medicação pra gente ver ao mesmo tempo...”
Eu consegui sair do hospital, viva, no quinto dia. Creio que isto só foi possível porque eu estava lúcida e atenta 24h por dia. Não posso imaginar o que pode estar ocorrendo agora com as pessoas que estão inconscientes, ou tão-somente, grogues, por conta dos medicamentos.
Preciso dizer o nome do hospital? Melhor não. Queridos doutores, em hipótese alguma quero magoá-los, mas, além de relatar para vocês a quantas andam os procedimentos internos daquele lugar, foi a forma que encontrei de fazer uma catarse, porque fiquei bastante assustada. Principalmente, porque meu irmão, Wilson Nunes (também paciente do mesmo médico) esteve internado lá, há cerca de 4 anos atrás, e relata que foi super bem atendido (o que prova que existe essa possibilidade...). Ah, se vocês quiserem podem me contratar que eu dou um jeito nisso... (brincadeira). Agora, sério: acho que um departamento de pessoal competente, que promovesse cursos de capacitação/atualização permanente para a equipe (incluindo médicos), dentre outras coisas, poderia ser um bom caminho. Do jeito que está, queridos, sinto muito, não consegue atender os pacientes com dignidade, nem serve pra ganhar dinheiro (mesmo que o interesse de vocês fosse apenas esse). Sendo assim, desejo bom êxito em seus empreendimentos futuros, mas por favor, não descuidem das pessoas.
Ah, uma coisa digna de nota positiva: o grupo que faz a fisioterapia na UTI. Foram corretos, profissionais e atenciosos.
Um grande e fraterno abraço,
Nesse momento, não aguentei e, me desculpando, me meti na conversa, achando estranho porque o diagnóstico que a médica dizia ser da pessoa que já estava lá dentro, era exatamente igual ao meu... o que me causou estranheza, uma vez que a tal miocardiopatia hipertrófica congestiva parece não ser uma coisa muito comum.
Enfim, desfez-se o mal entendido, depois que a médica ‘foi lá dentro’ verificar o que eu havia dito e desfez a confusão. O que aconteceu é que tanto eu quanto a senhora que chegou antes, fomos enviadas pelo mesmo médico, que, por telefone, passou os motivos da internação de cada uma das pacientes. Sendo assim, parece que quem recebeu os recados, trocou pacientes e diagnósticos...
Em seguida, fui levada lá pra dentro, pra UTI. A primeira coisa que fazem é nos colocar completamente nus, com a aquela camisolinha aberta atrás... É a certeza que nós vamos querer fugir, mas não poderemos, por estarmos vestidos daquela maneira. Logo após vieram um enfermeiro e uma enfermeira para tentar pegar uma veia e me colocar no soro. Aquilo, desde o início me pareceu temeroso, porque ambos me pareceram com pouca intimidade no trato com as veias... Depois de cinco tentativas frustradas e eu assistindo e sentindo o arrombamento das minhas veias, ele dizia:”Bota a agulha 22, que é mais fina.” E ela respondia:”Não precisa, vai com a 20 mesmo...” Até que depois de umas onze tentativas vãs, passou uma médica que, vendo o que se passava, mandou suspender a ideia de me colocar no soro...
É óbvio que fiquei com os dois antebraços e com o dorso da mão esquerda completamente roxos, inchados e doídos. Mas, fragilizada como qualquer pessoa na mesma situação que eu, comecei a achar que a culpa era minha, afinal, eu é que tenho fragilidade capilar... Embora eu tire sangue regularmente para fazer exames e os ‘tiradores de sangue’ das clínicas não costumam fazer isso comigo. Enfim... É muito interessante como a gente se sente acuada diante do aparato médico-hospitalar. Parece que aquilo tudo vai poder nos engolir a qualquer momento, principalmente se não tivermos um bom comportamento... A questão do bom comportamento fica logo clara para quem chega, só em ouvir os comentários do pessoal da enfermagem a respeito dos pacientes. Logo, logo a gente percebe que o melhor é ficar bem comportadinha...
Em seguida, chegou um rapaz gritando D. Deise, quem é D. Deise?. Como ninguém respondeu, perguntei se, talvez, quem sabe, não poderia ser Denise (e aí seria eu...). E ele disse que sim, e aí me arrumou na cama para tirar um RX do tórax. Isso já eram quase 23h. Para meu azar, ainda vieram tirar sangue de mais uma veia mal comportada, como só eu tenho...
No dia seguinte, entre um tremendo entra e sai naquela sala (que deveria ser mais reservada, ou não?), começam a vir os remédios: a enfermeira vem e me oferece um comprimido. Eu pergunto o que é e ela responde:"É lasix”. Ponderei com ela que eu não tomava esse medicamento, que a minha pressão é baixa, eu não estava com retenção de líquido, além de já fazer bastante xixi por natureza. Nada comoveu a moça e, para não ser enquadrada como mal comportada, resolvi tomar o lasix, afinal, pensei, um só não será tão ruim assim, só terei que usar a ‘comadre’ o dobro de vezes que já uso...
Mais tarde verificamos que realmente o lasix não era pra mim...
Chega o café da manhã (sim, faz parte do sistema da tortura médico-hospitalar te acordarem às 4:30h/5h para tirar sangue (aaaiiii!!!), medir a pressão e tirar a temperatura), junto com ele uma situação, no mínimo, surreal: um senhor que estava duas camas depois da minha, estava com esofagite (infecção no esôfago) e, portanto, sob rigorosa dieta e já internado há três dias. Na sua ficha estava prescrito que sua alimentação deveria ser líquida e pastosa. Adivinhe o que veio para ele comer? Um copo grande de café puro, um copo grande de leite, uma banana, um sanduíche de pão de forma e manteiga e geleia. Bom, podemos entender que o café e o leite são líquidos (embora, decididamente, café não seja uma bebida indicada para quem tem problemas digestivos...), mas, e o pão de forma e a banana, ficariam enquadrados em líquidos ou pastosos? Talvez depois de bem mastigados... A questão é que a ‘moça da cozinha’ foi chamada e disse que não sabia o que fazer, porque, para ela, foi dito que o paciente estava de dieta branda e aquele era o café da dieta branda...
Até o final do dia, me tiraram sangue (aaaiiii!!!) mais duas vezes e, naturalmente, deixando meus braços parecendo um caso do CSI...
Uma coisa que fiquei sem entender muito bem, também, foi a atitude pouco adequada, digamos, de alguns funcionários. Ora dando gargalhadas, ora brigando entre si por causa de horários e ‘quem vai cobrir quem, no dia tal’, alguns se xingaram, e, finalmente, a noite realmente é feita pra dormir, certo? Por falar nisso, de madrugada, eu mesma me libertava dos eletrodos (não sem antes gravar mentalmente em que posição se encontravam), baixava a grade da cama, saía da cama, ia ao banheiro, voltava para a cama, subia a grade, e me conectava novamente. Só assim, e em silêncio, eu conseguia fazer xixi sem acordar ninguém da enfermagem...
Novamente, às 4:30h da manhã, vem uma enfermeira para tirar meu sangue (aaaiiii!!!). Foi ‘tão bem tirado’ que pensei que tivessem enfiado uma chave de fenda e com ela ‘procurado’ a veia, assim que ela tirou a agulha, cresceu um ‘calo’ roxo na dobra do meu braço direito. Comecei a chorar de dor. Uma meia hora depois apareceu um enfermeiro vindo do CTI e eu o chamei e pedi que me trouxesse algo para colocar no braço, poderia ser gelo. Ele saiu e voltou com um tubo de... pronto para colocar no meu braço, quando segurei sua mão a tempo e perguntei se ele tinha certeza que aquilo daria um bom resultado... Então ele resolveu olhar para o que estava quase passando em meu braço: no lugar de Reparil gel, ele ia passar creme de barbear Bozzano... A desculpa foi que os dois tubos são azulzinhos... (só não consegui entender porque no CTI o reparil gel fica junto do creme de barbear Bozzano).
Nessa noite, quase dois dias depois que eu havia chegado, vêm novamente tirar novo RX do meu tórax, porque aquele primeiro que fiz logo no primeiro dia, havia sumido... Ainda perguntei se talvez não havia sido entregue à D. Deise, por engano... Mas finalmente me disseram que não havia nenhuma D. Deise internada (o que foi uma pena, porque eu já estava me sentindo profundamente identificada com a D. Deise).
Consegui, no terceiro dia, ir para um quarto (me consolei pensando que estava me livrando de toda aquela loucura). Até o momento, eu estava achando que essas coisas só estavam acontecendo comigo. Depois fiquei mais impressionada, porque me dei conta que a atitude irresponsável de toda a equipe não era um problema pessoal meu. Isso ganhava contornos mais apavorantes, pois passei a imaginar tudo o que estava acontecendo comigo, em escala macro...
Cheguei ao quarto com o enfermeiro da UTI e não havia ninguém da enfermagem do andar para me receber no tal quarto. Me ajeitei, tomei banho e fui até o lugar onde o pessoal fica, para pedir que fizessem um pequeno curativo no meu dedo indicador esquerdo que eu havia cortado ainda em casa. Todos ficaram muito espantados com a minha presença, pois não imaginavam que eu já estivesse no quarto...
Enfim, pedi um curativo para as cinco enfermeiras ali presentes que me disseram para ir para o quarto, porque em seguida, alguma delas iria até lá. Até o final do dia, fiz o mesmo pedido para três outras enfermeiras e estou esperando até hoje o tal curativo. Liguei para minha casa e pedi que minha filha trouxesse um antisséptico e alguns band-aids e eu mesma fiz o curativo.
No quarto dia, o médico foi me visitar e disse que eu ainda faria mais um RX do tórax e faria mais um exame de sangue (aaaiiii!!!). Logo em seguida, adentra o quarto mais um enfermeiro e pergunta se eu já estou pronta para subir... (achei o máximo da organização e competência, afinal, o médico havia acabado de sair, dizendo que eu iria tirar um RX e o enfermeiro já vem me buscar!!!). Perguntei se o RX era lá em cima, e ele respondeu: “A outra menina já está vindo aí pra te pegar de maca...” E eu: “E preciso ir de maca? Eu estou andando!” E ele completa: “Você tem que ir na maca, você vai pra cirurgia...” Eu dei um pulo: “Eeeuuu???” Ele: “Peraí, qual é o nº desse quarto? É 406?” “É” “E qual é o seu nome?” “Denise” “Humm, peraí que eu vou verificar...” E eu estou esperando ele verificar até hoje...
Bem mais tarde, fui ‘lá embaixo’ tirar o RX e sabe como estava escrito o meu nome na ficha? Você acertou se disse Deise... Eu mesma peguei uma caneta e consertei a ficha...
Você ainda acha que tudo é uma coincidência? Na última noite, por volta das 22h, entra a enfermeira com os remédios. Mais uma vez estranho, dessa vez, a quantidade de remédios. Havia cinco comprimidos para eu tomar. Perguntei à enfermeira quais eram os remédios e ela começou a dizer luftal, digesan, capoten (opa! Esse eu não tomo!), antak e propanolol. Achei meio exagerado o fato de ter um capoten (que eu nunca havia tomado) e já havia tomado 160mg de propanolol naquele dia. Será que o médico faria essas alterações sem me avisar que iria fazê-las? A enfermeira, aborrecida, me perguntou se eu queria que ela buscasse a planilha para que eu visse com os meus próprios olhos a prescrição. Eu, como bem comportada que aprendi a ser lá dentro... disse-lhe que não precisava, que eu só gostaria que ela fosse lá para conferir, e que eu acreditaria em sua palavra. A moça saiu batendo pé, visivelmente irritada, e voltou, visivelmente constrangida, com a planilha na mão, para me mostrar que na realidade eu só tinha que tomar o luftal e o antak. Me pediu desculpas, alegando que; “Sabe como é, né, é muita medicação pra gente ver ao mesmo tempo...”
Eu consegui sair do hospital, viva, no quinto dia. Creio que isto só foi possível porque eu estava lúcida e atenta 24h por dia. Não posso imaginar o que pode estar ocorrendo agora com as pessoas que estão inconscientes, ou tão-somente, grogues, por conta dos medicamentos.
Preciso dizer o nome do hospital? Melhor não. Queridos doutores, em hipótese alguma quero magoá-los, mas, além de relatar para vocês a quantas andam os procedimentos internos daquele lugar, foi a forma que encontrei de fazer uma catarse, porque fiquei bastante assustada. Principalmente, porque meu irmão, Wilson Nunes (também paciente do mesmo médico) esteve internado lá, há cerca de 4 anos atrás, e relata que foi super bem atendido (o que prova que existe essa possibilidade...). Ah, se vocês quiserem podem me contratar que eu dou um jeito nisso... (brincadeira). Agora, sério: acho que um departamento de pessoal competente, que promovesse cursos de capacitação/atualização permanente para a equipe (incluindo médicos), dentre outras coisas, poderia ser um bom caminho. Do jeito que está, queridos, sinto muito, não consegue atender os pacientes com dignidade, nem serve pra ganhar dinheiro (mesmo que o interesse de vocês fosse apenas esse). Sendo assim, desejo bom êxito em seus empreendimentos futuros, mas por favor, não descuidem das pessoas.
Ah, uma coisa digna de nota positiva: o grupo que faz a fisioterapia na UTI. Foram corretos, profissionais e atenciosos.
Um grande e fraterno abraço,
sábado, 9 de maio de 2015
Geração dos 50 pra cima
Fazemos parte de uma considerável parte da população que, de uma maneira despreparada, está tendo que dar conta de seus pais e mães envelhecidos.
Vamos a algumas observações que tenho feito ao longo dos últimos dez anos, cuidando de um pai - que agora está com 90 anos.
1 - envelhecer é uma merda, não tenho a menor dúvida. Só há sabedoria e alegria para os que se conservam saudáveis e produtivos;
2 - acompanhar lentamente a degradação física e mental de uma pessoa que amamos, é extremamente triste e desgastante;
3 - todos os amigos e amigas da minha geração estão lidando com essa situação, porque o desenvolvimento da medicina, dentre outros fatores, está fazendo com que as pessoas tenha uma maior expectativa de vida;
4 - há tempos, havia menos pessoas idosas e mais mulheres que não trabalhavam fora de casa, e que tomavam conta dos velhos, que demoravam menos para morrer;
5 - as pessoas que, atualmente, se encontram nessa faixa, acima de 80 anos, não compreendem irem para uma casa de idosos. Percebem esse ato como abandono da família;
6 - é extremamente caro cuidar de um idoso, seja em casa ou não;
7 - quem convive diariamente com idosos exercita ao máximo a paciência. É como cuidar de uma criança, dizem, é mentira: criança você cuida para a autonomia, idoso você cuida sem perspectiva de avanço;
8 - a maioria dos idosos - pais ou mães de amigos e amigas - têm alzheimer - o que torna tudo muito mais complexo em todos os âmbitos;
9 - meu pai, graças a Deus, só tem o que chamávamos antigamente de esclerosado;
10 - independente de qualquer coisa, ele lê, assiste filmes, dorme pra cacete durante o dia, fica acordado a noite toda (e eu também), e sente um tédio absurdo em relação à própria vida;
11 - pede todos os dias pra morrer porque não vê mais sentido na vida, e eu concordo plenamente com ele. A falta de produtividade acaba com o ser humano;
12 - o fato de depender de andador, de usar fraldas, precisar de alguém para dar banho e vestí-lo, e não conseguir mais engolir alimentos que não sejam pastosos, é puro desencanto. Chora todas as vezes que cuidamos dele e se vê dando trabalho a mim;
13 - seus amigos, irmãos, compadres etc já morreram todos;
14 - cada vez precisamos falar mais sobre a morte, sem medo, sem frescura, mas como algo que acontece a todos e fingimos "que não é com a gente". Encarar a morte como processo natural e não com medo;
15 - peço ao Divino que me leve antes de ficar assim. Caso não seja possível... os filhos e o marido já estão avisados: me coloquem numa casa de repouso;
16 - quem lida com idosos doentes diariamente se vê o tempo todo. É o que nos espera.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Para que servem as subprefeituras da Cidade do Rio de Janeiro?
Sempre achei que a divisão da cidade em subprefeituras era uma maneira de, não só descentralizar as ações de maneira mais ágil, evitando mais burocracia, como, pelo lado dos cidadãos, ampliar e aproximar um diálogo com o poder executivo.
Ou seja, os subprefeitos deveriam ser os olhos e as ações do prefeito em todas as áreas da cidade.
Como cidadã, esse é o meu entendimento.
Mas, na prática, nada acontece. Os subprefeitos passaram a ser os meios de comunicação que, através de denúncias, 'alertam' a prefeitura para a necessidades dos bairros.
E a prefeitura fica só 'apagando incêndios', a partir das reiteradas queixas dos moradores.
Não compreendo o sistema de conservação da prefeitura. A manutenção de aparelhos urbanos inexiste. Calçadas esburacadas, árvores precisando ser podadas, bueiros transbordando, ruas imundas, praças idem, além de bancos e brinquedos quebrados, falta de iluminação, túneis horrorosos, carentes de limpeza, dentre outros.
Talvez - e isso é somente uma especulação - se os subprefeitos fossem pessoas responsáveis, interessadas e verdadeiramente comprometidos com a cidade, e não apenas politiqueiros; e tivessem por rotina caminhar minimamente pelos bairros pelos quais são 'responsáveis', olhando para o que precisa ser feito e tomando as devidas providências, quem sabe toda a cidade fosse beneficiada?
Mas isso foi só uma ideia maluca que eu tive.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Além de tudo o que já se falou a respeito das vantagens e desvantagens da utilização do facebook, tem uma coisa que sempre me surpreende que é quando duas pessoas, absolutamente distantes em tempo, espaço e ideias, publicam ou compartilham a mesma mensagem.
E me pego, ainda espantada, com as "coincidências" , vindas de pessoas de contextos extremamente diferentes.
Na maioria das vezes, publicam com a mesma intenção. Mas, às vezes, publicam sob pontos de vista diferentes.
Me faz lembrar de um livro da Ruth Rocha, chamado "Nicolau tinha uma ideia", em que os personagens iam se comunicando e ampliando seus horizontes.
Essa é a curtição.
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